É de conhecimento público uma doença misteriosa, que atingiu 8 pessoas em Belo Horizonte. O alerta se intensificou com a morte de um dos pacientes, que estava internado na Santa Casa de Juiz de Fora. 

Os sintomas da síndrome podem incluir náusea, vômito e dor abdominal, evoluindo rapidamente para insuficiência renal e alterações neurológicas. Até agora, foram afetados pela doença apenas em homens, com idades entre 23 e 64 anos.

A investigação da doença está sendo realizada por uma força-tarefa, que inclui equipes de órgãos estaduais e do Ministério da Saúde. Nesses casos, é necessário que um conjunto de fatores seja harmonizado para que a força-tarefa encontre as respostas. 

 

O que você precisa saber sobre força-tarefa em casos de saúde pública

O caso da doença misteriosa, envolve uma investigação epidemiológica. Mas afinal, o que é a epidemiologia? É o estudo da frequência, da distribuição e dos determinantes dos problemas de saúde em populações humanas. É a principal ciência de informação de saúde, sendo a ciência básica para a saúde coletiva.

Para conhecer e entender a situação é necessário que os pesquisadores e profissionais envolvidos, identifiquem quais são os fatores determinantes do processo saúde-doença. 

O Professor da Faseh, Dr. Carlos Starling, especialista em infectologia e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, explica sobre como acontece o processo de investigação de novas doenças. 

“A força-tarefa para investigar novas doenças exige um conjunto de fatores. Entre eles, é necessário que tenha a presença de profissionais capacitados e treinados, principalmente para a investigação. Também, um sistema de informação muito bem estruturado, veloz e ágil, transmitindo informações também para a imprensa. É importante contar também com laboratórios de referência com alta capacidade resolutiva e talvez até a cooperação internacional, eventualmente. Além de um centro de verificação de óbitos” explica. 

Confira aqui uma matéria com o Professor Dr. Carlos Starling no G1. 

A importância da coleta de dados

A coleta de informações é primordial, pois é necessário que exista detalhes de cada caso. Casos clínicos, sinais, sintomas, dados epidemiológicos e informações como, onde as pessoas moram, onde estiveram, alimentos e bebidas consumidos são de suma importância.

Outro ponto importante na coleta de informações é compreender quem são as pessoas expostas que apresentaram os sintomas e consequentemente o problema. E aquelas que foram expostas e não apresentaram o problema.

Starling explica a importância desses fatores, para o cálculo de hipóteses da doença. “A comparação de dados é o que oferece a possibilidade do cálculo de estatística, de dados estatísticos, indicadores estatísticos que vão apontar as hipóteses”. 



O Professor da Faseh, Dr. Carlos Starling, especialista em infectologia e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia

O Professor também esclarece que existe uma ordem para a investigação epidemiológica. “É necessário coletar, analisar dados, utilizar ferramentas estatísticas e por fim, a formulação de hipóteses, para posteriormente testá-las. Isso direciona a investigação e evita o achismo” conta Starling.

Afinal, o que pode ser a doença misteriosa?

Em relação aos casos que estão acontecendo em Belo Horizonte, é fundamental lembrar que não existe ainda nenhum dado que aponte para uma causa específica. 

Os principais sintomas podem ser compatíveis com infecções virais, fúngicas, bacterianas ou eventualmente, intoxicações. E aí metais pesados podem provocar esses quadros. Derivados de álcool podem provocar também.

Starling reforça que para encontrar respostas a força-tarefa precisa seguir com o seu trabalho. “Existem várias possibilidades. Todas as hipóteses tem que ser analisadas. Todas as possibilidades tem que ser analisadas. E é fundamental evitar o imediatismo de achar que é isso ou é aquilo. Eles podem induzir a erros e prejudicar o processo de investigação” explica. 

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