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DESTILADO BEBIDO COM CERVEJA CONTAMINADA TERIA EVITADO INTOXICAÇÃO


Médico professor da Faseh explica processo químico metabólico que evitaria doença nefroneural que comprometeu cerca de 10 pessoas que beberam cerveja com substância tóxica em Minas

 

Crédito: Mark Vorel – Libreshot

 

Que consumir bebida alcoólica em excesso faz mal à saúde é informação pública e repetida por médicos. Até os comerciais brasileiros trazem a famosa frase, obrigatória por lei: “Beba com moderação”. Mas uma informação que veio à tona com o caso de, pelo menos 10 pessoas, contaminadas pela substância química dietilenoglicol encontrada no sangue dos pacientes acometidos por doença nefroneural e em amostras de cervejas que teriam ingerido, no fim do ano passado, é desconhecida de muita gente. Destilado bebido com cerveja contaminada teria evitado intoxicação. É, aquela cachacinha ou uma dose uísque, rum, conhaque, vodka, gin, poderiam ter livrado estas pessoas da internação ou da morte.

O uso de outro tipo de álcool, destilado, por exemplo, durante a ingestão da cerveja – ou seja, quem toma uma cachaça, uísque ou outra bebida associada – isso influencia no metabolismo do etilenoglicol. Por mais irônico que possa parecer, estas pessoas podem ter sido protegidas pelo uso de outra bebida com álcool etílico”, diz o médico e professor da Faseh Dr. Carlos Starling.

Mistura de bebidas alcoólicas pode evitar intoxicação
Dr. Carlos Starling: infectologista professor da Faseh

 

Ele explica: “O dietileno tem uma afinidade menor pela desidrogenase alcoólica e, com isso, é excretado sem liberar os metabólicos dele que são as substâncias mais tóxicas para rim, intestino, fígado, sistema nervoso. Então são os metabólicos (substâncias resultantes do processo de metabolismo,  intermediários das reacções metabólicas catalisadas por enzimas no organismo)”

Alívio: doença não é contagiosa

“Não se trata de doença infecciosa. Já é algo tranquilizador. Não é uma doença transmissível. Já sabemos a fonte do problema, como controlar, já temos protocolo de tratamento”. O infectologista afirma que a investigação está sendo conduzida de forma muito competente mas o trabalho não acabou. “O número de casos deve aumentar porque vários podem ter ocorrido antes de dezembro. Por isso, a investigação ampliou a análise de casos notificados anteriormente, em novembro. E, muito provavelmente, deve ampliar mais”

Fatores individuais agravam casos

É uma investigação que tem uma metodologia científica por trás. Ela deve seguir passos bem estabelecidos. Sabemos que a substância (dietilenoglicol) compete com o álcool etílico, do ponto de vista de metabolismo no corpo humano. Ela compete pela enzima desidrogenase alcoólica  –a maior parte do álcool ingerido é metabolizado no fígado pela ação da enzima álcool desidrogenase (ADH) que converte o álcool em acetaldeído, que mesmo em pequenas concentrações, é tóxico para o organismo –  e que vários fatores influenciam para evolução de quadros clínicos mais graves.

Nova fase da investigação

A investigação está em curso e, hoje, as pessoas estão sendo orientadas a entregar as cervejas que compraram em postos da Vigilância Sanitária. Isso é muito importante porque permite a avaliação de quantas garrafas, em casa lote, podem ter sido contaminadas, qual a concentração desta substância. Isso orienta a investigação. Se foi algo que aconteceu de forma aleatória ou se foi algo bem determinado, algumas garrafas só, em determinados lotes. A investigação muda. Se você tiver uma concetração variável mas muitas garrafas contaminadas, é uma coisa. Se tiver só algumas, isso pode conduzir a investigação noutro sentido. Isso é importante para a continuidade da investigação.

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