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CSI MINAS: PESQUISA DE PROFESSORA DA FASEH PODE AJUDAR A DESVENDAR HOMICÍDIOS


Trabalho inédito na capital, reconhecido por Polícias Civis e Federal, é um dos poucos no país sobre Entomologia Forense

 

Prof. Thelma De Filippis: estudo entomológico premiado

 

Na parasitologia, especialidade das Ciências Biológicas, o estudo das moscas é importante, já que elas transmitem doenças ou transmitem microorganismos que causam doenças às pessoas. Mas o que pouca gente sabe é que elas podem ajudar a solucionar crimes, determinando o tempo de morte de vítimas de assassinato, através dos ovos e larvas das moscas encontrados em cadáveres. E é a isto que se propõe a professora da Faseh Thelma De Filippis com o estudo que fez: os autores da pesquisa pretendem ajudar a desvendar homicídios.

O estudo de Entomologia Forense, feito com outros dois pesquisadores, recebeu um prêmio e foi publicado, neste mês, na Revista Brasileira de Criminalística. “No ano de 2017, fui convidada pelo professor Pablo Alves Marinho, que também é perito da Polícia Civil, e pela professora Elisa Vianna da UNB, para co-orientar um TCC de alunos deles – Amanda de Paula e Marlon Costa – em função da minha especialidade na identificação de dípteros Brachycera,  as moscas metálicas,  em Minas Gerais. Ajudei em uma Pesquisa inédita aqui e foi um sucesso!”

 

Prof. Pablo e Prof. Thelma no Workshop que premiou o trabalho

 

Pesquisa premiada

O trabalho foi premiado, como um dos melhores pôsteres apresentados no II Workshop Mineiro de Ciências Forenses, em 2017. A professora conta que eles trabalharam muito na redação de um artigo que é um dos poucos trabalhos publicados sobre o tema no Brasil.

Agora, vieram mais duas realizações com a pesquisa. Ela foi publicada no volume 9 da Revista Brasileira de Criminalística. E ainda pode vir a ajudar a perícia criminal a desvendar homicídios em Minas.

A professora Thelma explica o trabalho feito no campus da UFMG com cadáver de suíno, para a pesquisa e a publicação do artigo. 

 

 

Fazenda de corpos

A Dra Thelma De Filippis explica que, nos Estados Unidos, a polícia técnica faz o estudo de Entomologia Forense em “fazendas de corpos” ou cemitérios forenses.  Corpos doados para estes estudos científicos ficam expostos ao ar livre, por semanas ou até meses, para observação dos pesquisadores e peritos criminais. Como no Brasil não existe este tipo de local, o estudo feito por ela e os colegas usou a mata da UFMG e cadáveres de suínos que a professora considera terem o mesmo tipo de infestação de mosca que os humanos.

 

Foto: UCR News – University of California Riverside

 

“O próximo passo é a proposta de um estudo conjunto com o IML, para analisar cadáveres de vítimas de homicídio que já chegam em estado de decomposição, para catalogarmos os ovos e as larvas presentes neles, fazermos um banco de dados referência no Estado e acelerarmos esta importante ciência que é a Entomologia Forense”, conclui Thelma.

Parceria futura

A Dra Thelma espera que este estudo possibilite uma parceria com a perícia criminal em Minas, para estudo de corpos recolhidos pelo IML. “Os cadáveres de vítimas de homicídio, quando em estado de decomposição, podem conter ovos e larvas depositados por moscas que são objeto do nosso estudo e podem ajudar a determinar quando e onde a pessoa foi morta. A ideia é tentar ajudar os peritos a esclarecer estes crimes, com mais estes dados científicos da nossa pesquisa. Espero que dê resultado!”

A professora explica que o estágio em que os ovos e/ou larvas se encontram nos cadáveres possibilita estimar o intervalo mínimo, para calcular o dia da morte. A identificação da espécie da mosca que os depositou possibilita determinar onde o crime ocorreu, já que a incidência destes insetos varia de um lugar para outro, dependendo do ecossistema. “Existem artigos publicados que mostram, por exemplo, casos de pessoas encontradas mortas e havia um suspeito que visitou a casa da vítima em tal data. Como as larvas encontradas no corpo permitem dizer em que data foi o crime, você pode confirmar ou afastar a suspeita sobre o autor.”

“CSI” Minas

A Entomologia Forense já foi tema até de seriado de tv. O CSI (Crime Scene Investigation) mostrou em um episódio como as equipes de peritos criminais trabalham na solução de casos nos Estados Unidos. A professora explica a importância da parceria inédita em Minas que vai iniciar com a Criminalística para ajudar a desvendar homicídios.

 

Reprodução da internet

 

“Até hoje, temos apenas estudos isolados, nesta área, em Minas. Em Goiás tem do grupo da UNB, mas todos sem continuidade. A população de moscas pode se alterar, ao longo dos anos.  Hoje, aparece uma população de moscas. Daqui a 2, 3 anos, pode mudar esta entomofauna, por causa das alterações ambientais. Então, tem que ter um grupo que esteja, constantemente, pesquisando e atualizando os dados. Por isso, esta ciência aqui tem um desenvolvimento tão lento, comparado a países de primeiro mundo. Eu gostaria muito de criar esta equipe permanente”, diz Thelma De Filippis.

A doutora acrescenta que este trabalho surgiu num momento em que pensava no caminho a seguir, como pesquisadora, já que o mestrado e doutorado dela foram sobre estudos de moscas que ela queria retomar. “Aí, me veio o convite que aceitei prontamente. É uma coisa que gosto de fazer, que fazia até em casa, na Faseh, analisando os insetos, com lupa simples, para ir contribuindo com a pesquisa que foi muito trabalhosa. O fato de ela ter sido premiada me trouxe muita satisfação, porque tive que abandonar estes estudos, por um tempo, exatamente, pela falta de um grupo de trabalho. Foi a conclusão de um projeto e fiquei feliz de ver surgir uma equipe interessada que pode crescer e se tornar referência, não só em Minas, mas no Brasil e no mundo.

 

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